Mais do mesmo

novembro 27, 2009

Hoje, indo trabalhar aconteceu algo banal mas que me despertou.

Estava atravesando a rua, no mesmo local do dia anterior e quando reparei, a mesma moto com a mesma menina no mesmo farol exatamente no mesmo enquadramento estava ali novamente.

Ela, igual ao dia anterior, sem carro nenhum em volta, só ela e o farol.

Vi aquilo e comecei a reparar nas minhas 7 quadras de casa ao trabalho.

Reparei que sempre via as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas.

A senhorinha de roupão  indo toda engraçada para a natação, o senhor sempre contando as moedoas na frente da banca para comprar o jornal, a menina morena de mochila verde, o rapaz beijando sua namorada (acredito que seja namorada pelo número de vezes que já os vi ali).

Reparei como as coisas são iguais, reparei em mim, que tirando a barba, o cabelo e os kilos a mais ou a menos estou sempre ali, indo no mesmo horário, pelos mesmos caminhos (a gente às vezes pensa em fazer caminhos diferentes, mas depois de um tempo os caminhos diferentes passam a ser iguais né?).

Será que a senhora que fica ali varrendo a calçada repara nisso? Aliás, será que ela percebe que cada dia varre pra um lado e fica somente empurrando a sujeiro de um extremo para o outro?
E o rapaz que fica regando o asfalto em frente da sua casa, espera o que? Espera que ali cresça um prédio depois de tanto regar?

Foi ai que vi um prédio. Quer dizer ainda não é um prédio, mas vai ser, e observando bem, ele é o único que muda ali.
Cada dia um tijolo novo, um andar a mais, um elevador, ganha acabamento, azuleijo, etc.
Fácil pra ele, fica lá paradão enquanto os trabalhadores que ao invés de se construirem, constroem ele.

Acho que o segredo é esse. Construir mais você e menos os outros.
Tentar mudar, como diz a música do Raul.

Verdade, agora entendi, provavelmente ele fez essa música indo pro trabalho a pé, por isso o “Ambulante”.

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2 Respostas to “Mais do mesmo”

  1. j.R Says:

    hahahaha!!!!!

    SEnsacional…Nascer prédio na rua?. Gostei.

  2. Dani Says:

    É, companheiro… isto chama-se rotina. Todos temos a nossa rotina que, invariavelmente, cruza com a rotina alheia.

    excelente post

    beijo rouge

    Dani


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