Ônibus.
Já faz parte do meu dia-a-dia.
Fim de noite, voltando para casa depois de mais uma longa jornada.
Cansado, sento no banco perto da porta, lá no fundo.
Abro um livro e começo a ler. Está certo que ali não é o lugar ideal para ler um livro, até pra ler uma frase em um outdoor é uma aventura sentado ali.
Mas aquele dia foi a gota. Não, o problema não foi a chuva, longe disso.
O problema era um rapaz, duas cadeiras atrás, a “turma do fundão”, com um celular (maldito viva-voz) rolando um funk no talo.
Não, o problema não era a música, nem a qualidade dela ou do som do celular (o funk foi apenas um agravante, poderia ser até uma bossa ali, ia dar no mesmo(?)), o problema era a altura do som e a postura do rapaz.
Pessoas voltando de seu longo dia, cansadas e tendo de aguentar aquilo? Aquela afronta, aquela falta de respeito?
Não, não poderia ficar assim.

Respirei fundo e levantei. Eu, negão, 1,92m, um armário, cara de mau. Cheguei no rapaz, sem falar um “A” arremessei o MP5.236 pela janela e falei “Se der um pio, vc vai junto!” .

Respirei fundo e levantei. Eu, mulato, 1,80m, um cara normal. Cheguei no rapaz e disse: “Chefe, você conhece algo chamado fone de ouvido? Não?? E educação, conhece? Então por favor compre um ou aprenda o outro ok?”, voltei e sentei em meu lugar em silêncio, junto com o silêncio que fez o celular do individuo em questão.

Respirei fundo e levantei. Eu, moreno, 1,69m, com uma barriguinha de computador considerável e uma leve cara de bobo, desci do ônibus e pensei “Preciso arranjar outro lugar pra ler meus livros ou quem sabe comprar um audiobook”.

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Dose de Inspiração

março 7, 2010

Em uma mesa de bar somos nós mesmos. Sem mascaras nem pudores, após algumas doses simplesmente falamos o que queremos. Filosofamos, discutimos, e sempre temos a razão. É com esse contexto que nossos personagens Pedro e Chico serão atirados, discutindo os assuntos mais absurdos possíveis depois daquela Dose de inspiração.

Tremores sóbrios.

fevereiro 27, 2010

Esta noite acordei com minha cama balançando… Pensei sobre a cerveja bebida… Mas Pó! Nem foram tantas assim… 4, 5 garrafas?

Terça foram 24 e a cama nem tremeu nem nada… Mas também nem lembro se dormi na cama, na rede, na casinha do cachorro… Mas não tremeu não!

Esta noite balançou tudo… E ficou balançando e eu arrependido das 4 garrafas de ontem e das 24 da terça!

 Rezei um Pai-Nosso e tentei dormir… Balançando… Na minha cabeça sonolenta (sóbria) aqueles segundos pareciam horas.

Até que peguei no sono novamente e dormi. Quando acordei li sobre os tremores no Chile que abalaram também o Brasil, o alívio foi imediato.

NÃO FOI A CERVEJA NÃO! FOI O TERREMOTO PÔ!

 Ufa! Tava preocupado.

Vida e Morte Berro D’água

fevereiro 25, 2010

Confesso não li a obra do Jorge Amado, mas hoje logo pela manhã quando comia meu misto com o café expresso me deparei com um link e quis conferir.

Fiquei impressionado! Além de estar louco para ver o filme, quero ler a obra. Quero imaginar aquele personagens, antes de velos com carne e osso, quero poder entender as falas antes de serem ditas. E seré a que morte de pode ser mais divertida que a vida?

vai a dica:

Ano Etílico.

fevereiro 25, 2010

Depois de 24 garrafas nem tem por que ser diferente.

Quem era pão-duro não é mais.

Quem era afeminado nem era tão mais.

 Quem sabia de tudo não sabia mais.

Depois de 24 garrafas tomadas… Qualquer assunto vira tese.

Terça-Feira de volta às aulas… Aula ao ar livre… Noite quente.

 Vamos tomar uma. Só pra refrescar, vamos sim.

-Tenho R$5.00. –

Tenho R$8.00.

 -Tenho umas moedas.

Pede mais.

 -O suricato pagou 6.

“É Itaipava né?” Alguém grita. Alguém que, compadecido com nossa situação de caça às moedas, pagou mais algumas.

 -Já são dez horas?

-Não!

-Vou ali no banco.

 Pega mais 5 lá!

Esse copo ta com cheiro de barata.

-Bebe sem respirar.

-É mesmo.

– Minha camisa é Lacoste.

– Aé? Então paga uma aí.

Paga sim! Paga mais!

Começou o ano letivo ou Etílico?

Dissecando Hermes

fevereiro 23, 2010

Adoro letra de música.
É incrível a habilidade de certas(os) pessoas de musicar o cotidiano, do fantasioso até a realidade.
Mas tem um, que ganha de todos.
Não por ser melhor, mas por conseguir musicar o inmusicavel(?).
Tente rimar Shah-Jehan com Mumtaz Mahal e inserir uns “Têtêretês” no meio disso tudo.
Tente falar do homem da gravata colorida, do urubu que toca flauta, do homem avestrús, da mulher do homem que come raio-laser.
Arranje uma frase pra usar Spyro Gyra é spyro gyro.

Difícil?
Que nada, isso ele tira de letra!
Agora vem a obra-prima. Acompanhem comigo a versão musical de uma parte da Mitologia. Isso mesmo M-I-T-O-L-O-G-I-A.

Hermes que era Thoth que era Mercúrio que era Três Vezes Poderoso e por isso Trismegisto.

“Hermes Trismegisto escreveu
O que está embaixo é como o que está no alto,
e o que está no alto é como o que está embaixo.
E por essas coisas fazem-se os milagres de uma coisa só.
E como todas essas coisas são e provêm de um
pela mediação do um,
assim todas as coisas são nascidas desta única coisa por adaptação.”

Simples não? Uma explicação mais do que óbvia sobre os escritos de Hermes.
Ahhh…o nome do albúm é “A Tábua de Esmeralda” (onde foi escrito as palavras do Trismegisto).
Acredito que poucos conseguem ir tão longe quanto Jorge Ben, talvez só alguém um pouco mais “Racional”.

Então fica aqui os dois juntos, estacione sua asa-delta e boa semana!

Quando deixamos?

fevereiro 19, 2010

Quando deixamos de lado nossos bonecos, nossos jogos e brincadeiras?
Quando percebemos que hoje será a última vez que escolheremos entre o soldado ou o ninja?
Quando percebemos que a realidade que vivíamos era uma fantasia e que atual realidade pode ser mais fantasiosa que a anterior?
Que agora sim podemos optar entre ser vilão ou herói, polícia ou bandido.
Que não somos detetives, guerreiros ou super-homens, mas que agora sim podemos escolher qual deles seremos.
Que nosso forte antes de plástico, agora é feito de tijolos.
Nossas mocinhas agora são de carne e osso.
Que morremos.
Que sangramos.
Que choramos.
Quando trocamos guerras de lama por batalhas de fogo?
Trocamos balas por pratas, chinelos por sapatos, regatas por gravatas?
Quando deixamos nossos brinquedos, nossos “pequenos amigos”, nossas bolinhas de gude, nossos monstros no fundo do armário, lá em uma ilha distante?
Quando deixamos a infância, esperando sempre continuar com a criança?

Fica a dica: